A multidão corre enlouquecida a caminho da praça central.As crianças,curiosas,estão no meio do alvoroço e por pouco não são pisoteadas pelos adultos.Alguns meio que por extinto também correm,sem saber porque.
No meio da confusão ouvem - se algumas vozes em tom de espanto : “Eu vi,eu vi,eu vi...Ele está armado”.O outro pergunta : ” Ele quem ? Não estou vendo nada ! ”
Porque esse espanto,porque as pessoas estão tão chocadas ? Ora,uma arma ? Qual o problema ? O mundo está repleto disso ! Mas não era uma arma qualquer.Aquela minúscula cidade nunca tinha visto coisa igual.
No meio daquele aglomerado de pessoas, crianças,velhos,adolescentes,gestantes.Uma cena chama à atenção da multidão : Um senhor de aproximadamente 70 anos reune as suas últimas forças e consegue -- depois de ser pisoteado -- sair debaixo daquela avalanche de braços,pernas e cotovelos.Então ele dá um brado com sua voz
rouca,porém alta : “ Esta arma matou um Rei ”.Logo em seguida,aponta de forma enérgica com seu indicador para a arma,que está no pescoço,daquele tão procurado homem.Os que estavam correndo junto a multidão,apenas por curiosidade,agora entendem o motivo que levara as pessoas a ficarem chocadas e revoltadas : A arma era uma Cruz.
Foi uma cruz que matou o Rei dos reis e Senhor dos senhores.Aquele que se fez maldito por opção.Ele se fez maldito por algumas horas apenas,o suficiente para salvar pessoas de todos os tempos e gerações.Ele se fez maldito,agora não é mais.
Nenhuma forma de execução pública nos anais da história humana pode ser comparada com a cruz imperial romana, tanto pela crueldade física quanto pela dor emocional. Morrer crucificado infligia à vítima as maiores dores possíveis, simplesmente porque afetava todas as partes do corpo.
A cruz sempre será maldita.
Veneremos então Aquele que estava na cruz.Não veneremos a cruz.